Perfil: Egipto - À procura do hepta

08 de Janeiro de 2010, 19:28

Depois de ter defendido com sucesso o seu título no Campeonato das Nações Africanas no Gana em 2008, o Egipto vai procurar chegar a mais um troféu no CAN de Angola. A última participação egípcia num Campeonato Africano das Nações, foi sem dúvida um reconhecimento ao potencial dos Faraós.


A vitória aos Camarões na final de Acra em Fevereiro de 2008 permitiu ao Egipto chegar ao sexto título, recorde de sucessos nos campeonatos africanos e permitiu ao treinador Hassan Shehata alcançar dois títulos sucessivos e ao capitão Ahmed Hassan três inéditas medalhas vencedoras.

 

Egipto: Rei e Senhor do futebol africano

O Egipto está integrado no Grupo C, devendo disputar a primeira fase com as selecções da Nigéria, Moçambique e Benin.

O Egipto ocupa um lugar privilegiado na história do futebol africano. Em 1934, foi o primeiro país do continente a participar no Campeonato do Mundo de Futebol da FIFA. Então, os Faraós beneficiaram da renúncia da Turquia e ficaram qualificados após uma grandiosa vitória de 11-2 perante a Palestina. No entanto, a sua estadia em Itália acabou por ser muito breve: uma derrota 4-2 perante a Hungria no primeiro jogo acabou por envia-los de volta para casa.

A outra participação na maior prova mundial de selecções foi no Itália 90. Uma derrota ante a Inglaterra e dois empates a uma bola e a zero com Holanda e República Irlanda respectivamente não chegaram para alcançar a fase seguinte.

O treinador Hassan Sheata vai conduzir novamente os destinos do Egipto num Campeonato Africano das Nações, onde procurará chegar ao terceiro título consecutivo.

As últimas duas edições do Campeonato Africano da Nações também foram ganhas pelos Faraós: em 2006 venceram a Costa do Marfim e em 2008 a “vítima” foi os Camarões. Um dolo de Aboutrika aos 77 minutos bastou para conquistar o sexto título. Hosny Abd Rabo foi considerado o melhor jogador da prova e Samuel Eto´o levou para casa o prémio de melhor marcador.

Em termos globais o Egipto já leva 76 jogos em fases finais do Campeonato Africano das Nações, com um salto amplamente positivo: 40 vitórias, 13 empates e 23 derrotas, 124 golos marcados e 76 sofridos

Actualmente o Egipto ocupa o 24º lugar no Ranking da FIFA, tendo falhado por uma nesga a sua qualificação para o Mundial 2010, a disputar na África do Sul. Na última fase de qualificação para o CAN e Mundial 2010, os Faraós terminaram em segundo lugar, ao favor da Argélia que terminou em igualdade pontual (13) com os Faraós, tendo sido necessário o recurso ao jogo de play-off para definir quem iria ao Mundial da África do Sul, numa partida ganha pelos argelinos por 1-0, jogo disputado no Sudão.

 

As estrelas dos Faraós

O Al Ahly, melhor equipa africana por várias vezes, oferece actualmente um grande número de jogadores para a selecção egípcia, o que permite que os integrantes da selecção se conheçam e facilita a fluidez da equipa. Poucos são os membros da equipa que jogam no estrangeiro: Mohamed Zidan do Borussia Dortmund da Alemanha, Mohamed Shawky do Middlesbrough são alguns dos futebolistas que jogam fora do país.

Os Faraós contam com o líder emblemático Ahmed Hassan (Anderlecht), o sucessor do lendário Hossam Hassan. No ataque destaca-se a presença da dupla Mohamed Zidan e Amr Zaki que dão ao Egipto um potencial ofensivo digno. Na defesa, Wael Gomaa é o dirigente de uma unidade sólida e disciplinada.

 

A primeira selecção africana num Mundial FIFA

Doze anos depois voltaria a levantar o “caneco”. Na 21ª edição da prova, realizada no Burkina Faso, o Egipto venceu na final a África do Sul por 2-0. O seu avançado Hossan Hassan seria coroado rei dos goleadores com sete tentos, os mesmos que Benny Mc Carthy da África do Sul, avançado que foi campeão europeu pelo FC Porto.

O primeiro título foi em 1957, ano de estreia da prova. Apenas três equipas disputaram o primeiro CAN e na final o Egipto venceu por 4-0 a Etiópia, com Al Diba a marcar todos os golos. Em 1959, em casa, ainda com três equipas, venceu Etiópia e Sudão (4-0 e 2-1) e voltaria a ganhar a prova em 1986, dezasseis anos depois do último título, num ano que foi anfitrião mais uma vez. Na final bateu os Camarões por 5-4 no desempate por penalti, depois de um nulo no marcador.

Dessas conquistas destaca-se a do Campeonato das Nações Africanas de 2006, disputado em casa, após uma emocionante final contra os marfinenses de Didier Drogba, vencendo por 4-2 nas grandes penalidades, após 0-0 em 120 minutos de espectáculo.

O Egipto é inquestionavelmente uma das maiores forças do futebol africano, tendo participado em 21 edições do Campeonato Africano das Nações. Nessas presenças, o Egipto conquistou os campeonatos disputados em 1957, 1959, 1986, 1998, 2006 e 2008.

Em 1976 ficou em quarto lugar, numa edição um pouco diferente: as duas melhores equipas de cada grupo foram disputadas a final num formato de todos contra todos, tendo os Faraós quedado pelo último posto, num ano em que terminaram com 12 golos sofridos, a pior defesa.

Nos anos de 1994, 1996, 2000 e 2002 ficou-se pelos quartos-de-final e em 1963, 1988, 1990, 1992 e 2004 não passou da fase de grupos.

Em 1980 perdeu a meia-final para a Argélia nos penaltie  (2-4) depois de 2-2 no tempo regulamentar e no jogo de consolação voltou a perder, agora para Marrocos por 0-2. Dois anos depois, na Costa do Marfim foi eliminada nas semi-finais pela Nigéria também nos penaltie (7-8), depois de 2-2 no tempo regulamentar. No jogo de terceiro e quarto lugares perdeu para a Argélia por 1-3. Mesmo assim o seu avançado Taher Abouzaid foi o melhor marcador com quatro golos.

A única vez em que não levantou o troféu no jogo decisivo foi em 1962 quando perdeu para a Etiópia por 4-2, após prolongamento. Em 1970, 1974, 1980 e 1984 chegou às meias-finais. Na edição de 1970 participou com o nome de República Árabe Unida quando se juntou com a Síria e perdeu para o Sudão por 1-2 após prolongamento. No jogo de terceiro e quarto lugares venceu 3-1 a Costa do Marfim. Em 1974 foi eliminada antes do jogo decisivo pelo Zaire por 2-3 e depois venceu o Congo por 4-0 e ficou em terceiro, dando uma pequena alegria ao seu público, uma vez que foi o organizador do certame.

Mas não é só em títulos no CAN que os Faraós se destacam: o Egipto é o país que mais vezes organizou a competição, a par do Gana (quatro vezes). É também a equipa com mais presenças na final, onde mostra maior lucidez: seis títulos em sete possíveis. Em igual posição está o Gana com sete finais e quatro títulos. Em termos de presenças no CAN, apenas por quatro vezes os Faraós não estiveram na maior montra do futebol africano: 1965 na Tunísia, 1968 na Etiópia, 1972 nos Camarões e 1978 no Gana.

 

Calendário de jogos do Grupo C

Jogo Dia Hora Local

22 21 Jan 17.00 Nigéria – Moçambique Lubango

21 20 Jan 17.00 Egipto – Benin Benguela

14 16 Jan 19.30 Egipto – Moçambique Benguela

13 16 Jan 17.00 Nigéria-Benin Benguela

6 12 Jan 19.30 Moçambique – Benin Benguela

5 12 Jan 17.00 Egipto – Nigéria Benguela