Prova foi um êxito para José Eduardo dos Santos

02 de Fevereiro de 2010, 15:34

O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, apontou hoje a CAN 2010 como uma realização dos angolanos que “muitos duvidavam” ser possível, poucos anos depois do fim de décadas de conflito armado.

Numa mensagem ao país dois dias após o fim da Taça de África das Nações (CAN2010), que teve lugar em Angola de 10 a 31 de janeiro, José Eduardo dos Santos aproveitou ainda esta mensagem para reiterar os votos de pesar às famílias das “vítimas do ato terrorista ocorrido em Cabinda” contra a delegação do Togo, a 08 de janeiro, que provocou a morte a dois elementos togoleses.

O ataque à seleção do Togo, em Massabi, Cabinda, reivindicado pelas Forças de Libertação do Estado de Cabinda - Posição Militar (FLEC-PM) e pela ala militar da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC), aconteceu dois dias antes do arranque da competição, quando a comitiva togolesa se dirigia para a cidade de Cabinda a partir do vizinho Congo-Brazzaville.

O chefe de Estado angolano aproveitou para agradecer a “solidariedade que a esse respeito foi manifestada por quase toda a comunidade internacional”.

A realização “com êxito” da CAN2010 foi a “melhor resposta” dada pelos angolanos “a quem se dedica a tentar manchar com fins pretensamente políticos um evento desportivo de tão grande significado e dimensão”, disse José Eduardo dos Santos, na mensagem hoje divulgada pela imprensa estatal angolana.

O Presidente referiu-se ainda à importância do torneio realizado em Angola por ter criado património físico que vai servir para dinamizar o desporto junto da juventude, tal como permitiu a construção de infraestruturas rodoviárias, hoteleiras e de outra natureza que beneficiará a população angolana e a todos os visitantes.

“Valeu a pena porque revelámos uma capacidade organizativa que muitos duvidavam que tivéssemos, poucos anos depois do fim de décadas de conflito armado e porque pudemos ver ao vivo as melhores seleções e os melhores jogadores do nosso continente, que antes só vislumbrávamos nos ecrãs da televisão”, disse.

Nesta mensagem, o Presidente angolano elogiou a organização, o público que afluiu aos estádios, os jogadores e os jornalistas e destacou a união do país “em torno dos seus principais símbolos, confirmando que são já parte integrante das suas vidas e que não podem ser alterados por razões conjunturais”.

Eduardo dos Santos disse esperar que o Mundial da África do Sul possa ser a “continuação da festa do futebol”, fazendo alusão aos tempos do regime do “apartheid” no país vizinho, em que Angola afirmava estar ali a continuação da luta de libertação que levou à independência angolana, em 1975.

“No passado dizíamos que na África do Sul estava a continuação da nossa luta. Esperamos que o Mundial de Futebol de 2010, a ter lugar nesse país, seja a continuação da nossa festa, a festa do futebol”, disse.

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