Mambas no CAN2010: É preciso muito mais para ganhar jogos

22 de Janeiro de 2010, 01:38

Moçambique despediu-se do 27º Campeonato Africano das Nações que decorre em Angola sem deixar saudades. Um empate e duas derrotas em três jogos, com dois golos marcados e seis sofridos. Assim se resume a 4ª presença moçambicana na prova maior do futebol africano de selecções.

A partida para Angola, não se esperava dos Mambas qualquer tipo de brilharete. A presença na competição constituía por si uma façanha, uma vez que na última fase qualificativa a formação de Maart Nooij tinha dado uma boa réplica à selecções como Nigéria e Tunísia, tendo inclusivé vencido as Águias do Cartago em Maputo.

O empate com o Benin na jornada inaugural não augurava nada de bom para aqueles que sonhavam com uma passagem a fase seguinte da competição. Se Moçambique não conseguiu impor-se frente a um adversário do seu calibre, como poderia aspirar a vencer selecções como a Nigéria ou o Egipto?

Frente ao Benin a equipa denotou  fragilidades defenvisas gritantes, para o nível de um campeonato africano. E na frente de ataque, sem Dário Monteiro, lesionado, as iniciativas eram entregues ao capitão Tico-Tico, ajudado de perto por Dominguez e Fumo.

A matemárica continuava do lado dos Mambas, apesar do segundo encontro no Grupo C ser ante o Egipto, o rei de África no que ao CAN diz respeito. Moçambique entrou sem medo, certinho nas marcações, pressionando alto, limitando o jogo dos Faraós e chegando com algum perigo junto da baliza de El Hadari, embora quase sempre com remates de longe.

A verdade é que quando se esperava que o Egipto "esmagasse" os Mambas, era Moçambique quem tinha bola e o Egipto nem "cheirava" a baliza de Kampango.

Um erro de Dário Khan "desatou" o nó a favor dos Faraós que depois aproveitaram o balanceamento dos Mambas na procura do golo para "matar" o jogo com um segundo tento.

Toda a esperança da primeira vitória moçambicana numa fase final de um campeonato africano e da possível passagem aos quartos-de-final da prova, foi transportada para o jogo com a Nigéria onde os Mambas apenas dependiam de si mesmos para seguir em frente.

Apesar do início prometedor, era a Nigéria quem ameaçava mais. Ameaçou e mesmo no final da primeira parte adiantou-se no marcador para, logo nas primeiras jogadas do 2º tempo, "matar" as aspirações de Moçambique com um segundo golo. Os Mambas perderam as forças, deixaram de atacar com clarividência e o terceiro golo nigeriano foi apenas a confirmação do desnorte em campo.

À Moçambique faltou sobretudo coesão defensiva. Os defesas não podem estar a trocar a bola dentro da sua área quando estão a ser pressionados. As melhores equipas do Mundo, nestas situações, atiram a bola para a bancada. Como dizem os brasileiros "bola no mato que o jogo é do campenato".

Quando Moçambique trocava a bola de pé para pé, ao primeiro toque e com os jogadores mais juntos,  entrava no último terço do terreno mas na hora de entrar na área, faltava sempre qualquer coisa.

Faltava uma maior ligação entre os sectores. Quando os Mambas conseguiam finalmente chegar a área adversária, era sempre em inferioridade numérica. Os médios teriam de apoiar mais o ataque.

Moçambique não conseguiu melhorar a sua prestação em relação às três anteriores participações mas também não piorou.

 

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